quarta-feira, 18 de abril de 2007

Qui es le chien Andalu?



"Cada manãna, cuando me levanto, experimento una exquisita alegría - la alegría de ser Salvador Dali - y me pregunto estusiasmado '¿que cosas maravillosas logrará hoy este Salvador Dali? Sere un genio, y el mundo me admirará. Quizá seré despreciado y incomprendido, pero seré un genio, un gran genio, porque estoy seguro de ello'

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Poesia que pede

Cada um de nós já deve ter escutado de um professor de literatura apaixonado que poesia deve ser lida em voz alta. Dependendo da ocasião, bradada a plenos pulmões. Não só concordo como vou além: às vezes, a beleza dos versos pode ser potencializada se adentrarmos a plataforma cultural do autor. Explico-me.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.


Produndissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.


Já o verme -- este operário das ruínas --
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!


O hipnotismo dos versos de Augusto dos Anjos tem desdobramentos antagônicos em alguns leitores. É radical. Uns acham que ele ultrapassou os limites, outros agradecem-no por tê-lo feito. Mas é inquestionável que sua produção está entre às dos gênios da originalidade.
Augusto dos Anjos era paraibano. Ele compunha no quintal de casa. Como conta Ferreira Gullar, o dito homem caminhava em volta de um limoeiro, declamando poesia, sempre acompanhada de gestos “excêntricos”. Depois disso entrava em casa e colocava tudo no papel. Seu comportamento de ‘poeta da morte’ (como se autodenominava o autor), rendeu-lhe a fama de louco. Louco assim que até a irmã declarava.
Mas a o mais relevante de sua biografia para esta discussão é que Augusto dos Anjos era paraibano. Paraibano das vogais escancaradas, dos ‘ds’ e ‘ts’ marcados com a ponta da língua nos dentes, do ‘x’ achocalhado, do 'r' rasgado, da leitura ritmada, cantada, enfim, nordestina.
Se relermos a ‘psicologia de um vencido’ assim, na linguagem em que o poeta a concebeu, conseguiremos extrair dos versos ainda mais pujança e força – digo “ainda mais” porque o tema já é responsável por boa parte do impacto causado pela seqüência de idéias. A composição torna-se mais feroz e somos dragados de vez pela ousadia dos termos científicos, escatológicos e pela beleza mórbida da companhia constante da morte.