quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Portraits


Seguramente, um dia essa maquininha passeará pela minha pele! Kat Von D, a garota com ares de pin-up que a empunha, é uma das tatuadoras de portrait mais talentosas que eu já vi.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Segredos do laguinho

De fora das grades, a mansão da rua Barbarito Torres dava a impressão de um monstro sem vida. As grandes pilastras que seguravam os muitos andares e metros de janelas, em contraste com a ausência de qualquer movimento que fosse, fazia parecer que aquele era um gigante em coma. Movimento, aliás, só o das plantas; das fileiras de pés de eucalipto e daquelas arvorezinhas-bonitinhas-que-parecem-de-mentira-mas-não-são que ocupavam os milhares de metros quadrados que circundavam o casarão.

Encravado na imensidão do verde, o jardim zen. Nele, um pequeno lago com uma cachoeira formada por pedrinhas milimetricamente organizadas. Dentro do lago, uma carpa. Uma só. A filha do casal Rinzler Müller apelidara o peixinho de Jorge, mas isso já faz muito tempo.

A boa alimentação e os cuidados diários fizeram de Jorge uma carpa com escamas vermelho-sangue brilhantes. Ele tinha um espaço até razoável para nadar entre os objetos de design que ficavam na água, que a senhora Rinzler Müller comprara ela mesma, numa viagem a Veneza. Mas isso já faz muito tempo, ela já esqueceu dos "achados" adquiridos no exterior.

Nos meses de "inauguração" da morada da família, eram rotineiros os happy hours de domingo regados a champanhe e música. Jorge nem se incomodava com o barulho. Aliás, ele bem que gostava quando caíam umas gotinhas do espumante nas águas calmas do laguinho. Mas...isso já faz muito tempo. Hoje é difícil que alguém venha "refugiar-se no jardim zen".

Antigamente, Jorge fazia companhia, uma vez por semana, ao jardineiro da mansão da rua Barbarito Torres. Através do espelho d'água, ele espiava a destreza do homem que aparava as plantas e, de vez em quando, trazia cores originais ao cotidiano de Jorge através das novas espécies de flores que plantava nos jarrinhos de porcelana. Mas isso já faz muito tempo: ajudado pelo cortador de grama e pelas novas tecnologias agrícolas, o jardineiro só aparecia no campeiro uma vez por mês, quando muito.

Olha, mesmo para um peixe, os dias de Jorge são bem monótonos - mesmo para um peixe gerado e nascido para estar em meio a uma família como a dos Rinzler Müller. O que serve de consolo, pelo menos, são as noites estreladas que, através da camada grossa de água, mais parecem deliciosos delírios impressionistas.

Era fim de tarde. A iluminação do jardim estava estonteante, como prometera o arquiteto que fizera aquela natureza artificial. Jorge reconheceu na jovem que parara na frente do lago a menina que uma vez o batizara. Ele não conseguia distinguir, por culpa das lentes com as quais via a cena, qual era o real semblante que se imprimia no rosto da jovem Rinzler Müller. Mas Jorge estava certo. Aquilo eram gotinhas de suor que lentamente brotavam da face da menina.

Logo, para fazer companhia às longas pernas da primogênita, mais um par delas chegou ao jardim zen. Fazia tempo, mas Jorge conseguiu reconhecer naqueles membros que despossuía o irmão mais novo do senhor Rinzler Müller. A água não permitiu que Jorge soubesse as confidências que os dois trocavam, mas ele conseguia, pelo menos, distinguir os movimentos.

Os pares de pernas se confundindo, as mãos agarradas nos cabelos um do outro. Os beijos sofridos e, embalada pela viscosidade do suor grosso, uma dança; uma dança que Jorge nunca tivera - e nem teria - a chance de experimentar.

No meio baile extasiado, a carpa perdera a capacidade de ver a dupla. Alguma coisa arrebatara a calmaria das águas do laguinho. Por entre círculos concêntricos que se expandiam agora até as margens, descia para o fundo do lago uma novidade. Como Jorge atestaria pouco mais tarde, não se tratava do champanhe a que, há muito tempo, ele uma vez se acostumara.

E nem Jorge imaginaria que, perdida na vastidão de concreto, decadência e mato do casarão da rua Barbarito Torres, havia uma vida além da dele mesmo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Homens-objeto



Uma carreira de 60 anos (1946-2004). Mas não é só isso que impressiona na trajetória profissional do fotógrafo Richard Avedon, que está sendo homenageado até dia 8 de junho com uma exposição em Milão. Nem de longe. Além de fotos incréééveis feitas para a marca Versace (como essa aí em cima), o italiano fez portraits maravilhosos de Marilyn Monroe, dos Beatles, de Andy Warhol, Prince e Bob Dylan, além de imagens marcantes do pós segunda-guerra e de outros temas nada amenos.

Outras fotos dele em http://www.richardavedon.com/

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Madame Satã


Década de 30. No bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, nasce uma madame.

A nova safra do (bom) cinema brasileiro. Ah, sim! E antes de virar noveleiro, Lázaro Ramos andou fazendo coisas de qualidade.

P.S.:Aos conterrâneos, o diretor Karim Aïnuz também é cearense!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

The age of aquarium

Não importa para que país, hoje eu chego à maioridade para o mundo inteiro. Começo o dia com um sentimento paradoxal, porque os cabelos brancos que arranco meticulosamente cada vez que aparecem não me deixam esquecer que envelheço a cada dia, mas, mesmo assim, a cada instante o universo se mostra gigantesco - e plausível de ser conhecido em cada centímetro.

E vem daí a certeza de que o tempo que eu vou viver será suficiente pra explorar cada polegada dessa realidade que me cerca e que cada vez mais eu sei que preciso presenciar para conhecer. Trocando em miúdos, aos 21 eu tenho a certeza de que o mundo vale a pena ser perscrutado e, por isso, focarei meus esforços para peregrinar cada um de seus muitos quilômetros.

A sociedade africana tradicional é hierarquizada em relação à faixa etária de seus integrantes. No entanto, mais que isso, é guardado um respeito especial aos viajantes. Acredita-se que os que se aventuram pelas estradas para conhecer outros lugares adquirem conhecimentos que nem mesmo a idade pode trazer. A cada ano que passa, vejo que isso é verdade.

Sendo assim, saiamos, o mais rápido possível, de nossas conchas e de nossas aldeias...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Edie Sedgwick


A belíssima musa de um Andy Warhol escroto.
Sienna Miller conta (e muito bem) a sua história no filme Factory Girl ("Uma garota irresistível")

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

La femme barbue

Elle ne travaillait pas au cirque
Elle n'était pas une arabe terroritste
Ni aussi une juive orthodoxe

De plus, elle possédait un petit ami très beau
Et un chat très fidèle
Elle seulement n'aimat pas quand les enfants
La regardait et se moquait d'elle